quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dois palhaços que se amam


Dois palhaços que se amam

Hoje, eu sonhei com uma palhacinha linda e toda colorida, que se aproximou de mim, tocou em meu rosto e falou:

- Eu vou te seguir aonde você for e estarei sempre com você, nesse grande circo da vida.

Ela estava maquiada e seu sorriso era lindo. Eu a olhei com a boca suja de chocolate e fiquei encantado por ela, passei o dedo no chocolate, experimentei para sentir o sabor dela e falei:

- Você é doce, dá vontade de lamber, mas é um sonho.

Eu corria, ela corria.

Eu dançava, ela dançava.

Eu pulava, ela pulava.

Eu olhava para trás e ela estava lá me acompanhando e feliz, admirando a minha arte de viver e sonhar maquiado no grande circo. Assim atuamos juntos, como dois palhaços na vida, dois palhaços que se amam no espetáculo do amor com amor.

Eu corria na frente e ela atrás, Seu amor me deixava tão feliz que roubei uma flor e dei para ela, que a cheirou, suspirou e fez uma cara de apaixonada. Naquele momento ela roubou o meu amor e invadiu o meu sonho.

Agora ela corre do meu lado, dois palhaços dançando,pulando, gritando, sorrindo e amando. Nós corremos na vida, no sonho e na arte, pois somos dois palhaços que se amam no circo da vida e nosso maior medo é que um dia o espetáculo acabe e deixemos de ser palhaços na arte do amor. Dois atores com medo, que um dia o circo seja desmontado e a cena do beijo não aconteça.

Num momento de desejo, eu pego ela no colo e beijo, depois pego na mão dela e corremos juntos, pulando, gritando, dançando e amando no palco do sonho e tudo que ele criou para enfeitar o nosso amor.

Ela vira para mim, me olhando com seus lindos olhos castanhos e fala:

- Eu não sou um sonho, estou no seu mundo, no seu circo, no seu espetáculo, fazendo parte de cada detalhe. Toque no meu rosto e vamos atuar que o espetáculo do amor não pode parar.

Os dois palhaços correm na rua, no palco que a vida e o sonho criaram para eles, enfeitado com flores, árvores, pássaros e amor.

Eles chegam em uma praia deserta, correm para tocar a água, sentir o cenário criado e acreditar no sonho, depois correm até uma grande pedra, sobem nela e ficam contando as estrelas, até a grande estrela surgir e esquentar tudo.

Eles permanecem sentados olhando um para o outro, admirados com os rostos pintados de palhaço e ela fala:

- Eu quero viver no seu circo para sempre, em cada cena e fazer parte do espetáculo que o sonho criou na peça do amor.

O palhaço toca o rosto de palhaço dela, eles sorriram felizes naquele sonho maravilhoso e beijaram borrando toda a maquiagem. Nos olhos dela escorriam lágrimas e ela falou:

- Realiza o meu sonho palhaço. Coloca-me no seu circo com você.

- Então vamos atuar que o espetáculo do amor vai começar.


Zip...Zip...Zip...ZzipperR

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O caminhante e a índia


O Caminhante e a Índia

Certo dia, um homem que caminhava sozinho e triste pelos campos selvagens da vida encontrou uma garota de cabelos longos e olhos castanhos, que se transformou na índia dos seus sonhos e juntos percorreram os campos durante anos, colhendo flores silvestres para manter um clima selvagem e indomável no amor vivido com carinho pelos dois.

Eles caminhavam num ambiente rústico buscando no silêncio do campo, o canto dos pássaros as flores que brotavam no campo, cultivadas pela própria natureza. O chapéu dele era enfeitado com uma grande pena de urubu e no seu pescoço uma mecha de cabelos dela trançados em um colar colorido. Ela usava tranças e uma pena de águia presa em uma das tranças que caia pelos ombros.

O clima entre eles era doce, suave e repleto de amor, como insetos saboreando o doce de uma flor, pois ele é apaixonado por ela e adora pegá-la no colo, apertar e ficar horas apreciando a sua beleza. Quando ela é abraçada por ele, sente tanto calor que o chama de Sol queimando no fogo do amor e da paixão. Ela é louca por ele e adora ficar no seu colo. Quando ela esta ajeitadinha no colo dele, brilha tanto que parece uma grande estrela, mas sua beleza aflora como o brilho e o encanto do luar. Apaixonado pelo brilho dela, ele a chama de Lua.

O dia amanhece. A neblina forte se espalha. A montanha surge distante atrás da neblina. A mata úmida é coberta pelo sereno e brilha com o surgimento do sol. Os pássaros cantam, as borboletas voam e as formigas surgem na busca do alimento. O vento sopra uma brisa gelada na mata, nas flores, nos insetos, no campo e eles seguem. Eles seguem caminhando e apreciando a natureza juntos num só pensamento, brincando, rindo, gritando, sonhando e amando gostoso o mundo, a beleza, a natureza, as flores e o outro. O Sol e a Lua amando o mundo criado por eles, se amando num mundo irreal, mas muito real.

Ele colhe flores para ela enquanto ela o abraça, enfeita os cabelos dela com as flores enquanto ela o beija com amor, brinca nos cabelos dela, que arrepiada com o toque do amor, o aperta carinhosamente com força.

Uma grande borboleta dourada surge voando sobre eles, que observam cada detalhe do seu vôo. Ela abre a mão e a borboleta pousa em sua mão, descansando do vôo, abrindo e fechando as asas. Ela coloca a borboleta em um galho e percebe um grande gafanhoto verde no galho. Ele pega o gafanhoto e o lança no ar, observando o vôo certeiro do gafanhoto direto para o arbusto cheio de folhas verdes.

Todos livres naquele mundo selvagem, rústico, descampado com vegetação rasteira e com pequenas flores. Livres para viver, para ser felizes, para amar, naquele mundo selvagem criado pelo amor do caminhante e de sua índia, que querem ser felizes juntos, num mundo onde estão as flores, os insetos, as árvores, as montanhas, as águas, a mata, o amor, o Sol e a Lua.

Onde a Lua estiver é iluminada e aquecida pelo calor do amor do Sol.

Paulo Alvarenga

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O vento do amor


Vento do amor

O sentimento sufoca, mas o amor é gostoso e faz a gente recordar momentos mágicos, que nos leva a pensar.

O pensamento que é envolvido pela saudade me leva para longe, deixando um vazio, um buraco na alma que dói e é nesse vazio que a saudade penetra me fazendo sofrer. A alma sofre e o corpo sofre fazendo rolar lágrimas dos meus olhos, mesmo que eu tente evitá-las, pois a saudade é cruel e judia fazendo o coração chorar pedindo e implorando o carinho que ela levou embora.

Não sei onde ela está?

Vento do amor! Sopra e traz a minha querida de volta pra mim, pois ela é o coração da minha alma e sem ela uma sombra de tristeza cobre a minha vida.

Vento do amor! Sopra os cabelos dela, desliza suave em seu rosto e refresca a sua boca, mas não se esqueça de dizer para ela, que sou um perdido apaixonado por ela e que ela ainda é a minha querida. Vento do amor! Traz a minha querida de volta pra mim.

Sinto-me sufocado pela saudade e saio correndo pelas matas do pântano, correndo na grama molhada tentando fugir da solidão, correndo pelos mesmos caminhos que ela corria comigo, tentando senti-la um pouquinho do meu lado, mas quando olho para o lado e tento encontrá-la, percebo que estou sozinho, mas não paro, continuo correndo, preciso dela do meu lado para me acalmar. Ao avistar a grande pedra fiquei aliviado, ela é o símbolo do nosso amor, testemunha de muitos momentos carinhosos e inesquecíveis.

Subi na grande pedra e senti o vento soprar em meu rosto trazendo a suavidade do toque das suas mãos, naquele momento o vento do amor trousse ela para mim e eu me arrepiei, sentindo o amor dela me abraçar, então gritei:

- Vento do amor! Traz a minha querida de volta para mim, pois tudo que existe nesse mundo foi construído para ela e sem ela nada aqui existe, nem eu. Por que vento do amor! Fale por que ela foi embora levando o meu amor? O meu carinho? O meu mundo e a minha vida? Sentei na pedra com o coração destruído, sofrendo e mergulhado nos sentimentos. Permaneci sentado na grande pedra do amor sentindo a brisa fresca do vento do amor, que me acalmava tranquilizando o coração e chorando sozinho.

Naquele momento de tristeza eu ouvi um grito trazido pelo vento do amor:

- Hei doido! Não consigo ficar sem você.

Eu olhei e era ela com o seu jeito de menina linda e atraente, que fez o meu coração explodir de felicidade.

No momento em que ela subiu na pedra começou a ventar forte. O vento queria um pouquinho do nosso amor balançando os nossos cabelos.

- Obrigado vento do amor! Por trazer a minha querida de volta para mim.

Nós ficamos sobre a grande pedra com os braços abertos sentindo a brisa carinhosa do vento, que levava o perfume do amor para longe, exalando amor por todo o pântano.

Olhamos o pântano e gritamos juntos:

- O nosso mundo é tão lindo quanto o nosso amor!

-Obaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Zip...Zip...Zip...ZzipperR
Paulo Alvarenga

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A roseira e o formigueiro


A roseira e o formigueiro

Você acha que trabalha demais? Então olhe os pássaros, as abelhas e as formigas.

Essa história poderia acontecer em qualquer cidade do mundo, poderia estar acontecendo na sua cidade, no seu quintal, mas aconteceu em Atibaia, uma cidade no interior de São Paulo.

Nós estudávamos na mesma escola e desde que nos conhecemos, ficávamos sempre juntos, como dois namorados, mas éramos muito crianças para namorar, assim namorávamos escondidos na praça.

Certo dia, nós chegamos à praça correndo até o banco, esse dia não sai da minha memória, ela estava com seu vestidinho branco, eu sentei no banco e ela deitou, acomodando a sua cabeça em minha perna. Eu ainda amo ela.

Eu falava de super-heróis e ela ouvia com atenção, as histórias lindas do super herói Ziperman, assim ela flutuava nas histórias, sempre acrescentando emoções vindas do inconsciente e inesperado, que fluía do imaginário dela, até o momento em que ela começou a falar das rosas, comentando sobre os diferentes tons e cores. De repente ela levantou e falou:

- As formigas estão destruindo as roseiras!

Levantamos e fomos investigar de perto e eu falei:

- Calma Indiana! As formigas não iriam destruir as roseiras. Vamos segui-las. Como elas são inteligentes, umas cortam e as outras recolhem carregando num sincronismo organizado e onde elas passam, fica marcado o caminho como uma trilha e todas passam dividindo esse caminho num só objetivo, a continuidade da espécie.

- Nós também marcamos o nosso caminho, caminhando lentamente em nossos passos, mas sempre disputando os espaços e às vezes até tirando pessoas do nosso caminho. Nós temos muito a aprender com as formigas.

- Vem Índio! Olha uma enorme fila. Ela apontou para aquela trilha de formigas enfileiradas. Deitamos olhando as formigas de perto e a Indiana falou:

-Olha Índio! Elas estão carregando folhas, flores e galhinhos, subindo e descendo caminhando juntas, uma atrás da outra. Aiiiiiiiiiiii! Uma me mordeu.

Não conseguimos ver o final da trilha, somente o começo. A roseira era linda, carregada de folhas verdinhas e rosas de um vermelho forte. O que vamos fazer Índio? Matá-las? Desviar a trilha para outro lado? Indiana ficou esperando a resposta dele e observando o que ele ia fazer.

Índio pegou na grande folha que uma formiga estava carregando e levantou. Incrível! Ela não solta a folha. Colocou-a na palma da mão e ela continuou com a folha, entregue ao destino e focada na sua função dentro do formigueiro, pois o grupo necessita do empenho de cada uma para sobreviver.

Ela caminha na minha mão, como eu caminho na mão da vida. Eu agacho e mostro para Indiana a linda formiga saúva, vermelha como fogo e com uma força surpreendente, tão surpreendente que destrói a roseira, que não se importa de oferecer a elas as suas folhas, parece até que vivem uma para a outra num círculo da vida.

Indiana pega a formiga da minha mão com cuidado para não machucar e coloca de novo na trilha com tanto carinho que a formiga parece agradecer e continua caminhando rumo ao seu destino, que é o buraco do formigueiro.

Nós corremos e ficamos admirados com os tamanhos das folhas, que elas carregam e levam para dentro do buraco, dava até vontade de ajudar e ali ficamos horas na companhia delas.

A noite chegou e as formigas continuavam trabalhando sem parar um momento, então decidimos ir embora e voltar no outro dia para ver de novo.

Ao chegar, no dia seguinte, nós tivemos uma surpresa, o formigueiro estava doido, parecia estar em festa e a praça estava forrada de formigas.

Do buraco saia grandes formigas com uma bunda imensa, que batiam suas asas fazendo um barulho lindo e depois levantavam vôo sumindo no céu em busca de um destino indefinido, entregue à sorte, para em outro lugar dar origem a um novo formigueiro e nós curtíamos cada decolagem das formigas com emoção, desejando sorte a elas.

Os dias passaram e voltamos à praça. Eu sentei no banco como era de costume e a Indiana deitou com a cabeça apoiada na minha perna. Enquanto eu contava uma história, ela falou:

- A roseira está cheia de folhas novamente, esperando as formigas, como se nada tivesse acontecido e nós também continuamos no nosso banco da praça namorando, esperando as flores que com certeza a roseira vai dar para nós, enfeitando o nosso amor.

- Olha Índio! Já tem botões de rosa.

- Elas serão vermelhinhas, perfumadas e cheias de amor igual a você.
Assim, Indiana e Índio continuaram na praça. Índio contando histórias e ela deitada com a cabeça apoiada em sua perna, sonhando com as histórias dele até hoje.


Zip...Zip...Zip...Zzipperr e vestivermelho.
VruummmmmmmmmZuummmmmmmmm....
Paulo Alvarenga